O exemplo da China na educação

Publicamos ontem uma frase do professor Carlos Arruda sobre a perda de produtividade do Brasil causada por problemas estruturais, como a falta de investimento na educação. A China virou o jogo e tornou o estudo uma obsessão no país.

Em 2010, Xangai, província chinesa, conquistou o primeiro lugar em todas as áreas (matemática, ciências e leitura) no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), o mais importante teste internacional de qualidade educacional. O teste é realizado pela OCDE a cada três anos e mede o conhecimento de jovens de 15 anos de idade.

E por que Xangai surpreendeu ao conquistar o primeiro lugar? Porque fez a tese de que só os países mais ricos do mundo conseguiriam produzir sistemas educacionais vencedores cair por terra.

A China conseguiu avançar mesmo com problemas característicos do subdesenvolvimento. Como? Vamos novamente descrever aqui as lições de Gustavo Ioschpe no livro “O que o Brasil quer ser quando crescer?”

  1. A educação virou projeto de nação. A China entendeu que um sistema educacional de qualidade é fundamental para o país se desenvolver.
  2. Pragmatismo. A China não deixou nenhuma ideologia atrapalhar o caminho para a melhoria na educação. Mesmo sendo comunista paga mais para professores com mais experiência e formação.
  3. Meritocracia. Para alcançar uma boa faculdade os alunos precisam ter bom desempenho em estágios anteriores. O mérito também é aplicado aos professores.  Bons diretores de escolas medianas são transferidos para escolas melhores.
  4. Abertura ao exterior. Os governos se esforçam para expor seus funcionários e intelectuais a tudo que acontece no mundo. O presidente da Shanghai Normal University, por exemplo,  estudou em Oxford, trabalhou no Banco Mundial e na Unesco.
  5. Gradualismo. O país testa em nível menor antes de aplicar as mudanças para o país todo. O que dá certo em pequena escala é compartilhado entre as 32 províncias.
  6. Coletivismo. Todos competem, mas todos se ajudam nas diferentes hierarquias. Professores, escolas, distritos e províncias.
  7. Formação constante. Em Xangai há treinamento compulsório todo ano ministrado pelo governo local. Uma semana em tempo integral nas férias de verão e dois dias nas férias de inverno.  Para ser efetivado como diretor o professor precisa fazer curso de administração escolar.
  8. Planejamento. Desde 1980 o governo chinês tem planos de longo prazo. O mais recente é criar 100 universidades de nível internacional. O importante é que os planos são cumpridos, pois são feitos com o cuidado que merecem.
  9. Material didático. Cada província desenvolve o seu. E isso funciona porque as províncias têm um currículo padronizado, que especifica o que deve ser ensinado a cada aula.  No Brasil cada escola decide o que ensinar e como…
  10. Empowered Management. Quando o sistema não funciona e a escola vai mal ela passa por um processo em que escolas de alta performance elaboram um plano para melhorar o desempenho. O melhor plano é selecionado e a escola vencedora assina um contrato com a escola ruim, assumindo a responsabilidade por dois anos. Se o plano funcionar a escola boa recebe um prêmio em dinheiro, que pode ser gasto em melhorias na escola.

Vale destacar trecho importante do livro:

“Grosso modo, o salário do professor vai de 0,5 a 1,5 do PIB per capita de sua região. No Brasil, o salário médio equivale a 1,4 do PIB per capita nacional. Lá, assim como cá, ninguém se torna professor pelos rendimentos mensais”.

Pragmatismo, meritocracia, gradualismo e, principalmente, coletivismo. Coisa que não vemos por aqui. Greves e mais greves de professores deixam transparecer o pouco caso com os alunos, principais prejudicados dos atos. E por que estamos falando de educação em um blog de marketing intelligence? Porque nossa função é estudar o mercado sempre e percebemos que isso afeta a nossa produtividade e competitividade, que afetam pequenos e médios empresários, a quem direcionamos nossos posts.

 

 

 

 

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